Querida Sofia,Estou em casa. Estou no silêncio da minha casa. Pela primeira vez em dois meses, não há ninguém à minha volta. Não há mais que tudo, não há o barulho da discoteca de Chelsea, não há o balançar metalico do metro nova-iorquino por baixo dos pés, não há CouchSurfers por toda a parte em minha casa.
Hoje eu estou sozinha. Pela primeira vez em dois meses. Ainda não consigo perfeitamente acreditar no que me aconteceu. Por vezes vemos nos filmes essas pessoas que mudam de vida assim de repente, que pegam num bilhete de avião do dia para a noite e vão para o outro lado do mundo.
Acho que ainda não acredito que morei um mês em New York. Eu morei um mês na cidade que nunca dorme. Acho que melhor que Paris, apenas há NY. Ou Londres. Ou Tokyo. Bah, "nada" é melhor que Paris.
Morar em Nova-Iorque mudou a minha vida, mudou a minha relação, mudou a minha maneira de ver o mundo. Não cheguei lá enquanto turista. Passei dias nos hospitais. Com ele. Passei horas no supermercado. Passei dias inteiros a andar de norte a sul de Manhattan sem apanhar o metro. Falei com pessoas nas ruas, restaurantes e bares.
Essa experiência à parte, em Paris, em casa, em um mês, recebi 50 CouchSurfers. Conheci gente do mundo inteiro, passei noites a rir, cantar, beber vinho e viver como se cada noite fosse uma festa.
Agora estou sozinha de novo. Em casa. Depois de dois meses de tanta coisa a ir tão rápido, tão a correr.
Estarei triste? não. Estou cansada. Amo a minha vida mas viver a correr assim cansa. Vivi trinta anos em 23. Tenho ainda muito que contar mas precisava de tempo para recuperar os sentidos e recuperar a minha vida enquanto A Elite e não enquanto A Elite e os seus surfers ou A Elite e o seu mais-que-tudo.
Estou de volta, Sofia. Let's do this!
